Sim, a Psicanálise funciona para muitas pessoas, e há pesquisas que sustentam a eficácia das terapias de base psicanalítica. Mas "funcionar", na Psicanálise, não significa eliminar um sintoma em poucas semanas. Significa compreender o que se repete na própria vida, mudar a relação com o sofrimento e abrir espaço para escolhas mais livres.
Quem está pensando em começar costuma ter dúvidas concretas: vai demorar? Vou me sentir pior antes de melhorar? Como sei se está dando certo? Este artigo responde a essas perguntas com base no que as pesquisas mostram e no que costuma acontecer no início do processo.
Resposta rápida: pesquisas sobre psicoterapia psicodinâmica, derivada da Psicanálise, encontraram resultados comparáveis aos de outras terapias reconhecidas, com ganhos que tendem a se manter depois do fim do tratamento. Nos primeiros meses, é comum sentir alívio por falar, seguido de momentos de desconforto e de novas percepções sobre si. Não existe calendário fixo, e o resultado varia de pessoa para pessoa.
O que as pesquisas dizem sobre a eficácia da Psicanálise?
Uma das revisões mais citadas sobre o tema foi publicada em 2010 por Jonathan Shedler na revista American Psychologist. Ao reunir meta-análises sobre a psicoterapia psicodinâmica, ele concluiu que os efeitos encontrados são tão grandes quanto os de outras terapias consideradas "baseadas em evidências" e que os pacientes tendem a manter os ganhos, e até a continuar melhorando, depois que o tratamento termina.
Outra meta-análise conhecida, de Falk Leichsenring e Sven Rabung, publicada em 2008 no JAMA, avaliou a psicoterapia psicodinâmica de longo prazo, com pelo menos um ano ou 50 sessões. Os autores encontraram evidência de efetividade em pacientes com quadros complexos, como transtornos de personalidade e condições crônicas.
Dois cuidados são importantes ao ler esses dados:
- os estudos avaliam, em sua maioria, a psicoterapia psicodinâmica, que nasce da Psicanálise mas tem formatos próprios, e não a Psicanálise clássica em todas as suas variações;
- resultados médios de pesquisas não garantem o resultado de uma pessoa específica. Eles mostram que a abordagem tem base, não que vai funcionar igual para todos.
O que significa "funcionar" na Psicanálise?
Muitas pessoas chegam com a expectativa de receber orientações práticas ou de eliminar rapidamente um sintoma. A Psicanálise trabalha de outro modo: ela investiga o sentido daquilo que você sente e repete, a partir da sua própria fala.
| Expectativa comum | Como a Psicanálise trabalha |
|---|---|
| Receber conselhos sobre o que fazer | Ajudar você a entender por que faz o que faz |
| Parar de sentir ansiedade logo | Compreender o que a ansiedade diz sobre sua história e seus conflitos |
| Ter um plano com etapas e prazo | Seguir o ritmo do que aparece em cada sessão |
| Mudar o comportamento do outro | Mudar a forma como você se posiciona nas relações |
Por isso, os sinais de que o processo está funcionando nem sempre são a ausência total de sofrimento. Muitas vezes são mudanças mais sutis: reagir de outro jeito a uma situação antiga, perceber um padrão antes de repeti-lo, conseguir dizer algo que antes ficava preso.
Como costumam ser as primeiras sessões?
As primeiras sessões servem para que você fale sobre o que motivou a busca e para que se construa a confiança necessária para o trabalho. Não é preciso chegar com tudo organizado nem saber qual é a origem do que sente.
Na Psicanálise, o convite é falar livremente, inclusive sobre coisas que parecem sem importância ou sem relação com o problema. Esse modo de falar, chamado de associação livre, permite que apareçam conexões que não surgiriam numa conversa organizada.
Também são combinados os aspectos práticos: dia e horário, frequência das sessões, formato presencial ou online e valor. O que é dito na sessão fica protegido por sigilo.
O que pode acontecer nos primeiros meses?
Cada processo é singular, mas algumas experiências são comuns no início:
- alívio inicial: falar sobre algo guardado há muito tempo costuma trazer uma sensação de leveza nas primeiras semanas;
- momentos de desconforto: ao tocar em temas difíceis, é possível sair de algumas sessões mais mexida do que entrou. Isso não significa que algo deu errado;
- percepção de repetições: você começa a notar situações, escolhas e reações que se repetem em diferentes áreas da vida;
- resistências: vontade de faltar, esquecer a sessão ou sentir que "não tem nada para falar" também fazem parte do processo e podem ser trabalhadas;
- sonhos e lembranças: é comum que sonhos e memórias antigas ganhem mais espaço e passem a ser trazidos para a sessão.
A relação com a analista também se torna parte do trabalho. Sentimentos que aparecem nesse vínculo, como medo de decepcionar ou de ser julgada, muitas vezes repetem modos antigos de se relacionar e podem ser falados e compreendidos.
Se o que motivou sua busca é a sensação de repetir sempre as mesmas histórias, o artigo sobre por que repetimos os mesmos padrões nos relacionamentos aprofunda esse tema.
Sinais de que o processo está fazendo sentido
Não existe uma régua única, mas alguns sinais costumam indicar que o processo está caminhando:
- você consegue falar sobre assuntos que antes evitava;
- percebe padrões que antes passavam despercebidos;
- pensa sobre o que foi falado entre uma sessão e outra;
- reage de forma um pouco diferente a situações conhecidas;
- sente que tem um espaço seguro para dizer o que pensa, sem julgamento.
E se parecer que não está funcionando?
O primeiro passo é falar sobre isso na própria sessão. Dúvidas sobre o processo, incômodos com a analista ou a sensação de estagnação são material de trabalho, e muitas vezes trazem questões importantes.
Também é legítimo concluir que a abordagem ou o vínculo não são os mais adequados para você neste momento. A qualidade da relação com o profissional é um dos fatores que mais influenciam o resultado de qualquer terapia. Se os sintomas forem intensos, se houver risco à sua segurança ou necessidade de medicação, procure também uma avaliação psiquiátrica.
A conversa inicial serve justamente para isso.
Quanto tempo dura a Psicanálise?
Não existe um prazo fixo. A duração depende da pessoa, das questões trazidas e do modo como o processo se desenvolve. Alguns processos são mais curtos, outros se estendem por anos.
A frequência mais comum é de uma sessão por semana, mas isso é combinado entre as duas partes. O encerramento também é construído em conjunto, a partir do que foi elaborado, e não marcado em um calendário no primeiro dia.
A Psicanálise online funciona do mesmo jeito?
O atendimento online mantém o essencial da Psicanálise: a fala, a escuta e o sigilo. Para que funcione bem, é importante estar em um local reservado, com conexão estável, onde você possa falar sem ser ouvida ou interrompida.
Para muitas mulheres com rotina intensa, que moram em outras cidades ou fora do Brasil, o formato online é o que torna o processo possível.
Converse com Rejane Santana
Rejane Santana atende mulheres adultas em Psicanálise em São Paulo, presencialmente na Vila Madalena, e online. A conversa inicial serve para você contar o que está vivendo, entender como as sessões funcionam e avaliar se o formato faz sentido, sem compromisso e sem promessa de resultado.
Se ainda tem dúvidas sobre a formação de quem vai atender você, veja a diferença entre psicanalista, psicólogo e terapeuta. Quando quiser, você pode falar diretamente com a Rejane ou agendar sua consulta pelo calendário online.