A terapia sistêmica é uma forma de acompanhamento terapêutico que compreende o sofrimento de uma pessoa a partir das relações das quais ela faz parte. Em vez de olhar apenas para o indivíduo isolado, ela observa a família, o casal, os papéis assumidos, as regras que ninguém diz em voz alta e os padrões de interação que se repetem.
A ideia central é simples: aquilo que uma pessoa sente e faz está ligado ao que acontece ao redor dela, e o que acontece ao redor também é influenciado por ela. Por isso, a pergunta deixa de ser apenas "o que há de errado comigo?" e passa a incluir "o que acontece entre nós quando isso aparece?".
Resposta rápida: terapia sistêmica é uma abordagem que trata a pessoa como parte de sistemas de relação, como a família e o casal. Ela procura entender os padrões que se repetem nesses vínculos, sem buscar um culpado, para que novas formas de se relacionar se tornem possíveis. Pode ser feita individualmente, em casal ou com a família, presencialmente ou online.
De onde vem a ideia de "sistema" na terapia?
A palavra sistema vem de uma mudança no modo de pensar que ganhou força em meados do século XX. A Teoria Geral dos Sistemas, de Ludwig von Bertalanffy, propôs que certos fenômenos só podem ser compreendidos olhando para as relações entre as partes, e não para cada parte separadamente. Uma família, nesse sentido, é mais do que a soma de seus membros.
A partir dessa base, pesquisadores e terapeutas passaram a estudar a comunicação e as relações familiares. O grupo de Palo Alto, com nomes como Gregory Bateson, Don Jackson e Paul Watzlawick, mostrou como a forma de se comunicar pode manter conflitos vivos. Outros autores desenvolveram escolas próprias, como a terapia familiar estrutural de Salvador Minuchin, o trabalho de Murray Bowen sobre diferenciação e a Escola de Milão.
Essas escolas têm diferenças entre si, mas compartilham um ponto: o problema que aparece em uma pessoa costuma fazer sentido quando se observa o conjunto de relações em que ela vive.
Como a terapia sistêmica funciona na prática?
Na prática, a terapia sistêmica observa padrões de interação. Ela presta atenção ao que acontece antes, durante e depois de um conflito, a quem cada pessoa recorre, quem cede, quem cobra, quem se cala e quem resolve.
Um conceito importante é a causalidade circular. No olhar linear, uma coisa causa a outra: "ela briga porque ele se afasta". No olhar circular, os comportamentos se alimentam mutuamente: ele se afasta porque ela cobra, e ela cobra porque ele se afasta. Ninguém começa o ciclo sozinho, e qualquer um pode participar de sua mudança.
| Olhar linear | Olhar sistêmico |
|---|---|
| Procura o culpado pelo problema | Procura o padrão que mantém o problema |
| Foca em uma pessoa | Foca nas relações entre as pessoas |
| Pergunta "por que você é assim?" | Pergunta "o que acontece entre vocês quando isso aparece?" |
| Espera que o outro mude primeiro | Mostra como cada um participa do ciclo |
Imagine, como exemplo hipotético, uma mulher adulta que sempre é chamada para resolver as crises da família. Ela se sente sobrecarregada, mas também culpada quando tenta recusar. No olhar sistêmico, essa situação não é vista apenas como falta de limite individual. Observa-se também qual lugar ela ocupa na família, o que os outros deixam de fazer porque ela faz, e o que parece estar em risco quando ela muda de posição.
Preciso levar minha família para a sessão?
Não necessariamente. A terapia sistêmica pode ser individual, de casal ou familiar. O que define a abordagem não é a quantidade de pessoas na sala, mas o modo de olhar para a questão.
No atendimento individual, a pessoa fala sobre seus vínculos e o terapeuta ajuda a observar os padrões a partir do lugar que ela ocupa. Na terapia de casal, os dois participam e o foco é a dinâmica construída entre eles. Na terapia familiar, mais membros podem estar presentes, quando isso faz sentido e é seguro para todos.
No trabalho de Rejane Santana, o olhar sistêmico aparece na terapia de casal em São Paulo, com a participação dos dois parceiros, e na Constelação Familiar individual, em que não é preciso levar familiares.
Para quais situações a terapia sistêmica pode fazer sentido?
A terapia sistêmica costuma fazer sentido quando o sofrimento está muito ligado a vínculos, papéis e repetições nas relações. Algumas situações comuns:
- conflitos familiares que voltam sempre pelos mesmos motivos;
- dificuldade de dizer não à família ou de sair do papel de quem resolve tudo;
- brigas frequentes e desgaste na comunicação do casal;
- relações difíceis entre mães e filhas, pais e filhos ou irmãos;
- fases de transição, como casamento, nascimento de filhos, separação, saída dos filhos de casa ou luto;
- sensação de repetir escolhas ou situações que já aconteceram com outras gerações da família.
Se você se reconhece no papel de quem precisa dar conta de todos, o artigo sobre por que dizer não à família provoca tanta culpa aprofunda esse tema.
Terapia sistêmica, Psicanálise e Constelação Familiar: qual é a diferença?
As três abordagens podem conversar entre si, mas partem de perguntas diferentes. A comparação abaixo ajuda a entender onde cada uma coloca o foco.
| Abordagem | Foco principal | Pergunta central |
|---|---|---|
| Terapia sistêmica | Padrões de interação nas relações atuais | O que acontece entre as pessoas quando o problema aparece? |
| Psicanálise | A história singular e os conflitos internos de cada pessoa | O que se repete na minha vida e por quê? |
| Constelação Familiar | Vínculos, lugares e lealdades dentro da família de origem | Que lugar ocupo no meu sistema familiar? |
A Constelação Familiar foi desenvolvida por Bert Hellinger e trabalha com a representação de membros da família, feita por pessoas ou por objetos. Ela é considerada por seus praticantes uma abordagem sistêmica, mas tem origem e método diferentes da terapia familiar sistêmica clássica. No Brasil, foi incluída em 2018 na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS.
A Psicanálise, por sua vez, concentra o olhar na experiência individual e na forma como cada pessoa vive seus conflitos. Muitas pessoas se beneficiam de combinar os olhares em momentos diferentes da vida.
O que acontece nas primeiras sessões?
As primeiras sessões costumam servir para compreender a questão trazida e o contexto em que ela aparece. O terapeuta escuta o que motivou a busca e começa a mapear as relações envolvidas: quem faz parte da história, como as pessoas se comunicam, quais mudanças aconteceram recentemente.
Em algumas abordagens, usa-se o genograma, um desenho da família em várias gerações que ajuda a visualizar vínculos, rompimentos e repetições. Também são comuns as perguntas circulares, que convidam a pessoa a olhar a situação do ponto de vista dos outros: "quando você se afasta, o que você imagina que sua mãe sente?".
Não é preciso chegar com tudo organizado. O processo começa a partir daquilo que você consegue perceber hoje.
Converse com a Rejane antes de decidir qualquer coisa.
Quais são os limites da terapia sistêmica?
A terapia sistêmica não procura culpados, mas isso não significa que todas as responsabilidades sejam iguais. Situações de violência, ameaça, controle ou abuso não devem ser tratadas como simples "dinâmica do casal" ou "problema da família". Nesses casos, a prioridade é a proteção e o apoio especializado.
Ela também não substitui avaliação médica ou psiquiátrica quando há sintomas intensos, risco à vida ou necessidade de medicação. E não promete mudar outra pessoa: o que se transforma é o modo como você participa das relações, o que pode abrir espaço para mudanças no conjunto.
Como escolher uma terapeuta sistêmica?
A terapia sistêmica não é uma profissão regulamentada por conselho no Brasil. Ela pode ser praticada por psicólogos e por profissionais com formação específica na abordagem. Por isso, vale perguntar sobre a formação, a experiência e a forma de trabalho antes de começar.
Se você tem dúvidas sobre os diferentes títulos, o artigo psicanalista, psicólogo e terapeuta: qual é a diferença? explica o que cada um significa.
Converse com Rejane Santana
Rejane Santana é psicanalista clínica e terapeuta sistêmica e atende mulheres adultas presencialmente na Vila Madalena, em São Paulo, e online. O olhar sistêmico está presente na Terapia de Casal e na Constelação Familiar individual, e pode ser combinado com a escuta psicanalítica quando a questão envolve tanto a história pessoal quanto os vínculos. Veja como funciona a terapia sistêmica em São Paulo com Rejane Santana.
Se quiser entender qual formato faz mais sentido para o seu momento, você pode falar diretamente com a Rejane ou conhecer sua formação na página Sobre Rejane Santana. A conversa inicial é sem compromisso e sem promessa de resultado.
Referências utilizadas
- Bertalanffy, L. von. Teoria Geral dos Sistemas. Petrópolis: Vozes (original de 1968).
- Watzlawick, P.; Beavin, J. H.; Jackson, D. D. Pragmática da Comunicação Humana. São Paulo: Cultrix.
- Minuchin, S. Famílias: funcionamento e tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas.
- Ministério da Saúde. Portaria nº 702, de 21 de março de 2018, que inclui novas práticas na PNPIC.
- Página de Constelação Familiar com Rejane Santana.